quinta-feira, 14 de março de 2013

Comissão contra o Crack inicia seus trabalhos


Em sua primeira reunião, deputados elegem presidente e reforçam compromisso em minimizar o problema das drogas.

Transformada em comissão permanente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a Comissão de Prevenção e Combate ao Uso de Crack e Outras Drogas elegeu, na tarde desta quarta-feira (12/3/13), seus presidente e vice-presidente, respectivamente os deputados Vanderlei Miranda (PMDB) e Paulo Lamac (PT).

O novo presidente anunciou a Marcha contra o Crack e Outras Drogas, que será realizada no dia 15 de junho. “O crack não tem rosto, ele perambula pelas ruas, está nas mansões, nas periferias e até nas zonas rurais. Vitima nossas crianças e nossas famílias. Esta não é uma luta apenas da Assembleia, é uma luta de todos”, disse. O vice-presidente, por sua vez, chamou o problema que o Estado tem enfrentado com o crack de epidemia e disse que a concretização dessa comissão é um passo importante para combater a mazela.

Ambos estiveram também à frente dos trabalhos em 2012, quando a o grupo ainda era uma comissão especial. No início deste mês, o Projeto de Resolução (PRE) 3.802/13, de autoria da Mesa da ALMG, alterou o Regimento Interno da Casa para transformá-la em comissão permanente. O deputado Glaycon Franco (PRTB) lembrou que essa é a primeira comissão permanente para tratar o assunto das drogas nas assembleias legislativas. “Minas Gerais está mais uma vez na vanguarda”, afirmou. Marques Abreu (PTB) disse que a comissão enfrentará o problema de frente.

Comissão Especial da PEC 44/13 elege presidente e vice
Na primeira reunião da Comissão Especial da Proposta de Emenda à Constituição 44/13, realizada na tarde desta quarta-feira, foram eleitos os deputados Sargento Rodrigues (PDT) para a presidência e Wilson Batista (PSD) para a vice-presidência. A comissão foi criada para emitir parecer sobre a PEC 44/13, de autoria da Comissão Especial para o Enfrentamento do Crack, que funcionou na ALMG em 2012.

A proposta tem por objetivo destinar a arrecadação adicional proveniente do aumento do ICMS sobre bebidas e cigarros ao Fundo Estadual de Prevenção, Fiscalização e Repressão de Entorpecentes. Os deputados da Comissão Especial para o Enfrentamento do Crack acreditam que esses novos recursos são essenciais para conter o agravamento da questão das drogas no Estado.

via Imprensa | ALMG

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Capacitação para quem lida com dependentes de drogas

erosbiondini.com

Curso online será oferecido pela Unesp a trabalhadores de comunidades terapêuticas

Estão abertas até o dia 8 de março as inscrições para os profissionais vinculados à comunidades terapêuticas em todo o Brasil, que assistem dependentes de drogas, para  participarem de um curso de capacitação oferecido pela Faculdade de Medicina (FM) de Botucatu, em parceria com a Famesp, promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). Serão oferecidas 10 mil vagas e todas as aulas, acompanhadas por tutores, serão realizadas à distância.

As inscrições podem ser feitas pelo site www.capacitact.senad.gov.br e até cinco profissionais por comunidade terapêutica poderão se inscrever. Após uma analise do perfil do candidato, com base no preenchimento de um formulário, será enviada uma confirmação da inscrição.

A FM foi escolhida pelo governo federal para se tornar um centro nacional de capacitação de comunidades terapêuticas. Para a realização do projeto, a Senad destinou, inicialmente, R$ 2,7 milhões para que a instituição oferecesse o curso a cinco mil profissionais.  No entanto, o número de vagas foi ampliado para 10 mil e foi solicitado reajuste.O repasse deve passar para  R$ 4,6 milhões.

Estima-se que o Brasil tenha aproximadamente três mil comunidades terapêuticas que oferecem assistência a pessoas dependentes de álcool e drogas. Atualmente, faltam hospitais e ambulatórios suficientes voltados a esse atendimento.

Com apoio do Núcleo de Educação a Distância e Tecnologias de Informação em Saúde (NEAD.TIS) da FM, os alunos, que poderão ser gestores, líderes, terapeutas, voluntários de comunidades terapêuticas - acompanharão as aulas pela internet, através da plataforma Moodle, e poderão obter esclarecimentos com a ajuda dos tutores. Pelo correio serão distribuídos kits compostos por apostilas e videoaulas. As dúvidas serão resolvidas no próprio site do curso; por e-mail ou ainda através de um telefone 0800.

Para compor a equipe, serão selecionados 200 tutores. Já foram selecionadas 150 pessoas, entre médicos, enfermeiros e psicólogos, assistentes sociais,terapeutas ocupacionais e farmacêuticos, entre outros profissionais de saúde. Todos passarão por treinamento. Todos estes tutores devem morar a não mais do que 100 km da FM de Botucatu.

Os tutores receberão suporte de especialistas da FM/Unesp, que por sua vez serão coordenados por professores da instituição.

Qualificação pode resultar em ajuda financeira para entidades
Segundo a professora Florence Kerr-Corrêa, do Departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria da FM, coordenadora do projeto, as comunidades terapêuticas com seus representantes capacitados poderão receber recursos financeiros. “Essas entidades, que focam o tratamento tanto individual como em atividades de grupo, serão vistoriadas e, se aprovadas, poderão receber verba do governo federal para poderem aprimorar sua estrutura”, explica.

Duas pesquisas serão desenvolvidas paralelamente à realização do curso. Os estudos deverão avaliar a adesão das comunidades terapêuticas, dificuldades, aplicabilidade do conteúdo transmitido e também serão aplicados questionários para avaliar a mudança de atitudes e expectativas dos profissionais após o treinamento.

Leandro Rocha | Comunicação e Imprensa da FM

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Holanda se arrepende de liberar drogas e prostituição


"O comentarista Carlo Germani nos manda um importante artigo, mostrando que a Holanda, um dos países mais liberais do mundo, está em crise com seus próprios conceitos. O país que legalizou a eutanásia, o aborto, as drogas, o “casamento” entre homossexuais e a prostituição reconhece que essa posição não melhorou o país. Ao contrário: aumentou seus problemas." 

Leia este artigo completo no blog Conservadorismo Brasil:



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Dependência química mobiliza autoridades e sociedade civil

Araípedez Luz P10
A busca por mecanismos para tratar a questão da dependência química mobilizou autoridades, entidades e sociedade civil nesta terça-feira (29). 

As formas de tratamento de viciados em drogas foi o assunto mais abordado durante uma reunião realizada na Sala João Pedro Gustin, na Câmara de Vereadores.

A mobilizadora social Alexia Dias destacou que o vício em tóxicos é um drama social e de saúde pública que afeta milhares de dependentes e pessoas próximas ou não a eles. “O pior é que o vício não se limita a um espaço ou grupo social. Ele está disseminado em toda a sociedade e causa inúmeros transtornos. Por isso, abordamos diversos assuntos relativos ao tema, entre eles, a internação compulsória”, afirmou. 

Existem três tipos de internação. A compulsória é determinada pela Justiça diante do risco que o dependente representa para a sociedade e que o vício significa para sua saúde. A voluntária é feita com consentimento do usuário e avaliação médica. Já a involuntária ocorre sem o consentimento do usuário, a pedido de terceiros e mediante avaliação médica.

A secretária Antidrogas e de Defesa Social, Flávia Carvalho, destacou que a pasta que administra cuida da prevenção por meio de programas levados às escolas e grupos sociais, como a Caravana Antidrogas. “Temos muito a discutir sobre drogas. A Administração Municipal é a favor da prevenção, da informação e das pessoas não experimentarem as drogas, além da capacitação de profissionais que lidam com um grande número de pessoas e famílias”, declarou.

Nos próximos dias, será produzido um documento e um vídeo pelos organizadores da reunião que será encaminhado ao prefeito Gilmar Machado. “Essa discussão já está sendo feita no governo municipal e vamos somar esforços, pois temos consciência sobre a importância do assunto. Está em nosso programa de governo o combate ao uso de drogas por meio da educação, em consonância com o trabalho da Secretaria Antidrogas que já está sendo feito”, disse o vice-prefeito Paulo Vitiello.

via Secom PMU

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Internação Compulsória: a polêmica por trás da medida


O Governo de São Paulo adota uma política polêmica que é a internação compulsória de dependentes químicos, para tentar diminuir e controlar o uso desenfreado do crack. Uma medida respaldada na ação integrada com o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB. Um serviço que contará com Comissão Antidrogas formada por promotores, juízes e advogados, além de um plantão criado pelo Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod).

O crack é uma droga que possui efeito rápido, e que por isso, o usuário passa a não ter controle de si. A agressividade que a droga causa no organismo faz com que o indivíduo não tenha percepção da destrutividade na qual está envolvido. Pautado neste argumento, o deputado federal Eduardo Da Fonte (PP-PE) propôs a política pública que prevê a possibilidade de internação compulsória dos dependentes químicos por ordem judicial.

Atualmente existem três formas de internação, a voluntária, involuntária e compulsória. Na primeira a pessoa aceita ser encaminhada para o hospital, num período de curta duração. O tratamento é intensivo e necessário e acontece de acordo com a vontade do paciente. No segundo caso, a internação involuntária acontece quando a pessoa está em surto, agitada e agressiva exageradamente. O paciente precisa ser contido e o uso de camisa de força pode ser um recurso. Já na internação compulsória depende da intervenção de um juiz e é usada nos casos em que a pessoa esteja correndo risco de morte devido ao uso de drogas ou de transtornos mentais. Esta medida acontece mesmo contra a vontade do paciente.

Aos que defendem a medida, o principal argumento é baseado nos pífios resultados do governo em controlar a proliferação das drogas no País e que é preciso, portanto, uma medida mais enérgica contra essa mazela. Reforça o coro a favor da internação compulsória o ministro da Saúde Alexandre Padilha e o Conselho Federal de Medicina (CFM). Em contrapartida, entidades de direitos humanos e dos conselhos regionais de enfermagem, assistência social e psicologia criticaram severamente a lei, pois, além de ser truculenta, a medida causa humilhações, maus tratos e violência. A crítica ainda mais contundente possui como cerne uma espécie de “limpeza das ruas” que o governo quer realizar e que contradiz a Reforma Psiquiátrica.

A Reforma Psiquiátrica visa garantir ao doente mental cidadania, ou seja, respeito a seus direitos e a sua individualidade, permitindo a inserção na sociedade e decretando o fim ao isolamento, repressão e à arbitrariedade da eugenia. A resocialização vai contra a exclusão social e a favor de reestabelecer a afetividade e a integridade. Toda esta nova mentalidade flerta com a luta antimanicomial, ou seja, diminuir os manicômios no País. Para tal, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) surgem como opção para atendimentos especializados em Saúde Mental, abertos e comunitários, em que os postos são transitórios para os usuários.

A internação compulsória ganha força às vésperas da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016, em que o acolhimento social defendido na medida parece um “recolhimento” social. A questão não é o crack, mas o que faz com que as pessoas estejam naquela situação. Desemprego, violência e o tráfico de drogas são os verdadeiros alvos desta luta. Investir em educação, empregos, habitação e justiça são medidas muito mais eficazes do que os imediatismos de uma faxina social.

Breno Rosostolato | Psicólogo clínico, terapeuta sexual e professor da Faculdade Santa Marcelina

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Prevenção e tratamento da dependência química


Quais razões levam um jovem a usar drogas? Como ajudá-lo a se livrar delas? O que se entende por drogas e dependência? Essas e outras questões são complexas e demandam uma análise um pouco mais aprofundada do fenômeno da drogadição.

Maconha, heroína, LSD, cocaína, crack, entre outras, chamadas popularmente de drogas, são substâncias psicoativas (SPAs) que têm convivido de alguma forma com o homem na maioria dos grupos sociais. Algumas têm origem natural, outras são feitas em laboratório, mas todas trazem inúmeras consequências para o sistema nervoso central. Tais efeitos modificam o estado geral da mente e do corpo e a conduta de quem as utiliza.

O usuário é chamado de drogadicto, já que este fenômeno é tratado hoje como uma patologia ou doença grave A chamada drogadição é algo antigo, amplamente relatado na literatura médica, que se tornou um problema de saúde pública em meados da segunda metade do século 20, em especial nos centros urbanos. A percepção generalizada atual é de que tem crescido significativamente o consumo de substâncias psicoativas, sendo usadas por faixas etárias cada vez mais jovens.

Uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou que os principais motivos para alguém experimentar essas substâncias psicoativas são: satisfazer a curiosidade a respeito dos efeitos das drogas, sentir necessidade de participar de um grupo social, ter vontade de expressar sua independência, buscar experiências agradáveis, novas e emocionantes, melhorar a “criatividade”, favorecer uma sensação de relaxamento e fugir de sensações e/ou vivências desagradáveis.

No mesmo estudo, a OMS elencou os cinco principais fatores de risco para o consumo de SPAs: não ter informações adequadas sobre os efeitos das drogas, ter saúde deficiente, estar insatisfeito com a qualidade de vida, ter personalidade deficientemente integrada e encontrar facilidade de acesso às drogas.

As drogas podem provocar um fascínio e atração, apoiadas no contexto social e cultural contemporâneo, que incorpora elementos da chamada pós-modernidade. De acordo com o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, diferentemente da sociedade moderna anterior, que ele chama de “modernidade sólida”, tudo agora está sendo permanentemente desmontado, sem perspectiva de permanência, no chamado “mundo líquido”. Tudo acaba sendo temporário, o que explica a metáfora da “liquidez” para caracterizar o estado da sociedade moderna.

Como os líquidos, essa sociedade é incapaz de manter a forma, o que pode ser traduzido por suas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções, modificando tudo antes que se tenha tempo de solidificar costumes, hábitos e verdades “autoevidentes”. Dessa forma, Bauman aponta que os jovens da atual geração, em especial, não podem mais contar com a natureza permanente do mundo lá fora nem com a durabilidade das instituições, que tinham antes toda a probabilidade de sobreviver aos indivíduos.

Contidos nessa “liquidez”, o fenômeno da drogadição e a disseminação do consumo de substâncias psicoativas espelham o modo como muitos jovens se relacionam hoje. Ele reforça valores baseados em consumismo e busca do prazer imediatista, associados à pauperização de importante parcela da população mundial.

Quando alguém se torna dependente, a “liquidez” de seu mundo é ainda mais aguda. A dependência pode ser entendida como o impulso que a impele a usar uma droga a fim de saciar seu desejo e lhe conferir prazer. O chamado drogadicto - ou dependente - caracteriza-se por ser incapaz de controlar seu desejo de consumir drogas, tendo um comportamento impulsivo e repetitivo, muito alterado em relação ao seu padrão habitual. A dependência também é marcada pela síndrome de abstinência, cujos sintomas estão associados à ansiedade, mal-estar e desconforto incontrolável, além de tremor nas mãos, náuseas, vômitos e até um quadro de abstinência agudo denominado delirium tremens, com risco de morte, em alguns casos.

Já há inúmeros medicamentos que podem minimizar tais efeitos. Porém, a cura para a drogadição é extremamente difícil, o tratamento é demorado e muito custoso emocionalmente para o dependente, sua família e círculo social.

O tratamento da dependência não pode estar restrito às medicações. Há nesse aspecto uma observação, muito disseminada, sobre o êxito na recuperação estar ligado a uma reorganização psicossocial do indivíduo. Psicólogos e terapeutas apresentam um grande arsenal de estratégias que colaboram nesse processo, deixando claro que um problema de tal complexidade exige uma abordagem terapêutica aliada a iniciativas que afastem o dependente das drogas. A arte, a prática esportiva e outras atividades prazerosas são capazes de ocupar o tempo utilizado anteriormente com as drogas, dentro de um contexto saudável, construtivo e estimulante.

Para isso, é fundamental o papel do tripé escola, comunidade e família, atuando conjuntamente, em harmonia. Isso favorece o processo de recuperação das vítimas da dependência. O desafio dos pais e educadores é promover um amálgama de saberes tradicionais (“legado”) com novos saberes (“futuro”) por meio de práticas que atinjam os jovens nos sentidos, levando-os a desenvolver uma percepção de que há vida, alegria e saúde longe das drogas.

Incorporando o pensamento do sociólogo Bauman, deve-se criar uma nova matriz “líquida”, capaz de promover uma cultura de tolerância, solidariedade, respeito mútuo, cidadania, autonomia e protagonismo social. Vivemos na fluidez, em períodos desafiadores, tempo de incertezas e novos desafios, mas fortalecidos pela certeza de que a luta contra as drogas é dever de cada um de nós.

Claudio Paris | Licenciado em Ciências e Biologia e pós-graduado em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). É também professor de colégio conveniado ao Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br), da Editora Saraiva, músico e gestor da Nova Geração, comunidade terapêutica que assiste jovens vítimas de exclusão social e drogadição

via Ana Carolina Esmeraldo | Ex-Libris