terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Minas Gerais ganha 715 novas vagas de internação para usuários de drogas

Secretaria de Estado de Defesa Social, em trabalho conjunto com a Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas, será a responsável pela gestão das vagas

Reunião nesta terça-feira contou com a participação de representantes de 42 comunidades terapêuticas | Gil Leonardi / Imprensa MG

Representantes de 42 comunidades terapêuticas se reuniram, nesta terça-feira (04), na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, em Belo Horizonte, para receber informações sobre monitoramento e fiscalização de convênios que garantem 715 novas vagas para internação de usuários de drogas em Minas Gerais.

Os contratos foram firmados entre as unidades de tratamento e a Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad), do governo federal, que junto com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) realizará a gestão das vagas. A iniciativa complementa a Rede Complementar de Suporte Social na Atenção ao Dependente Químico de Minas Gerais, por meio da qual o Governo de Minas estabelece parceria com 32 instituições que atenderam quase 20 mil pessoas em 2013.

De acordo com o subsecretário de Políticas Sobre Drogas, Cloves Benevides, o Governo de Minas repassa, anualmente, cerca de R$ 7 milhões às entidades conveniadas e as ações serão suplementadas com o repasse de mais R$ 8,7 milhões, em 2014, pelo governo federal. “É com a integração das práticas de múltiplos atores que se constrói a políticas sobre drogas”, afirmou Benevides.

O presidente da Federação de Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil, pastor Wellington Vieira, também ressaltou que a assinatura dos convênios atende a uma demanda antiga das comunidades terapêuticas. “Desde 2011, buscamos o reconhecimento do governo federal para que sejamos considerados, de fato, um ponto da rede de atendimento. Foi um processo demorado, mas que agora seguirá um modelo semelhante ao adotado em Minas Gerais desde 2003”, afirma.

Capacitação

Nesta terça-feira também aconteceu uma reunião de alinhamento pedagógico com representantes de 12 municípios mineiros que aderiram ao programa “Crack, é possível vencer” e que receberão cursos de capacitação sobre a temática das drogas.

Estavam presentes, além do subsecretário Cloves Benevides, a diretora do Departamento de Políticas, Programas e Projetos da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Cristina Gross Villanova, e o subsecretário de Integração de Minas Gerais, Daniel Malard.

Os cursos de capacitação acontecerão nos municípios de Betim, Contagem, Divinópolis, Governador Valadares, Ipatinga, Juiz de Fora, Montes Claros, Ribeirão das Neves, Santa Luzia, Sete Lagoas, Uberaba e Uberlândia entre 17 de fevereiro e 26 de setembro. Eles serão divididos em três módulos: Curso Nacional de Multiplicador de Polícia Comunitária (80h); Tópicos Especiais em Policiamento e Ações Comunitárias (TEPAC) – Redes de Atenção e Cuidado (40h) e Tópicos Especiais em Policiamento e Ações Comunitárias (TEPAC) – Abordagem policial a pessoa em situação de risco (40h). No total, serão cerca de 480 pessoas capacitadas, entre policiais civis, militares, bombeiros e guardas municipais que atuarão nas cenas de uso mapeadas pela cidade.

A diretora da Senasp destacou a importância da troca de experiência entre as forças de segurança pública e os profissionais de saúde e assistência social, que também serão professores nas capacitações. “Além de passar o conhecimento, vocês terão oportunidade de ouvi-los naquilo que é a particularidade de cada uma das ações”, falou aos policiais presentes ao evento.

da Agência Minas

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Usuários de álcool foram os pacientes mais atendidos no Centro Mineiro de Toxicomania em 2013

Balanço da unidade da Rede Fhemig também mostra redução do número de atendimentos, reflexo da ampliação do serviço para outros bairros e municípios

Centro Mineiro de Toxicomania, em Belo Horizonte, realizou um total de 4.003 atendimentos em 2013 | Divulgação/Fhemig

Pelo segundo ano consecutivo, a maior parte dos atendimentos no Centro Mineiro de Toxicomania (CMT), da Rede Fhemig, foi formada por usuários de álcool. Em 2013, 37,55% dos novos pacientes que procuraram tratamento eram dependentes da substância, 0,39% a menos que em 2012. O segundo grupo que mais buscou atendimento foi o de usuários de crack, com 33,38%, seguido dos usuários de cocaína, que representaram 16,17% dos novos cadastros. Em 2010 e 2011, os pacientes de crack superaram os demais.

O total de novos pacientes no ano passado foi de 767, contra 1.107 em 2012, e a média de atendimento mensal também caiu, de 349 para 333. Segundo Raquel Martins, diretora da unidade, um dos motivos para essa redução foi a abertura de novos Centros de Referência em Saúde Mental – Álcool e Drogas (Cersams- AD) em Belo Horizonte e Região Metropolitana. “A ampliação deste tipo de serviço em outros bairros e municípios resultou em um acesso mais facilitado pelos interessados, que podem buscar por atendimento em locais mais próximos de sua casa”, avalia Raquel.  O número total de atendimentos, incluindo os retornos, foi de 4.003 – em 2012 foram 4.183.

Outro ponto observado em 2013 pelos profissionais da unidade foi o aumento de atendimentos a moradores de rua. Segundo a diretora, um fator que pode ter contribuído para isso é o uso do crack, que não é normalmente aceito em casa como outras drogas a exemplo do álcool e da maconha, fazendo com que o usuário busque o meio externo para fazer o consumo. Também foi percebida a pouca presença dos familiares durante o tratamento, o que de acordo com Raquel, é prejudicial ao paciente. “A participação da família é fundamental, e sem ela, a evolução do tratamento fica bem mais difícil. A presença dos parentes reforça uma mudança comportamental”, explica.

Abandono

Dados estatísticos do CMT mostram que a grande maioria dos pacientes que interrompem o tratamento, volta a procurar ajuda – apenas cerca de 30% o abandona totalmente. Para Raquel Martins, a interrupção não significa que o dependente não se importe consigo mesmo, e sim que talvez não esteja preparado para uma intervenção naquele momento. “Nós, profissionais da área, estamos prevenidos para este tipo de situação, inclusive para se o usuário retornar em piores condições”, ressalta Raquel. 

Histórico

O Centro Mineiro de Toxicomania foi inaugurado em 1983, sendo o primeiro serviço do Sistema Único de Saúde (SUS) especializado no atendimento a usuários de drogas, álcool e outras substâncias psicoativas no país.

Em apenas quatro anos de funcionamento, em 1987, o Centro foi reconhecido pelo Conselho Federal de Entorpecentes, atual Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), como unidade de excelência para tratamento de álcool e drogas do Estado de Minas Gerais. Além disso, desde 2002, o CMT é credenciado como Centro de Atenção Psicossocial para usuários de álcool e drogas (Caps-AD), em consonância com a Política Nacional do Ministério da Saúde.

via Agência Minas

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Abuso de álcool e drogas - Simpósio em Ribeirão Preto

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP realiza no dia 29 de novembro, o décimo Simpósio Anual do PAI – PAD, Programa de Ações Integradas para Prevenção e Atenção ao Uso de Álcool e Drogas na Comunidade. As inscrições, gratuitas, podem ser feitas até 28 de novembro.

O evento ocorre no Espaço de Cultura e Extensão (ECEU) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, localizado na Avenida Nove de Julho, 980.

O simpósio, coordenado pelo professor Erikson Felipe Furtado, do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da FMRP, integra as atividades da “Semana de Alerta sobre o Uso Abusivo de Álcool e Drogas”. Terá como conferencista Maximiliano Ponte, da FIOCRUZ- Amazonas. Ele irá falar sobre o tema: “Juventude, uso de álcool e violência em um contexto indígena”.

A Semana de Alerta tem o objetivo de chamar a atenção dos profissionais de saúde e da população para a necessidade de ações de prevenção voltadas para a redução da violência associada ao uso de bebidas alcoólicas.

Estão previstas também mesas-redondas com participação de representantes de órgãos de saúde pública do estado e de municípios que compõem a XIII Rede Regional de Atenção à Saúde (regiões de Ribeirão Preto, Araraquara, Barretos e Franca).

As atividades são abertas ao público em geral. As inscrições, gratuitas, podem ser feitas até 28 de novembro, véspera do simpósio, no local do evento ou pelos telefones (16) 3602-2727 ou 3904- 9474.

Mais informações: (16) 3602-2727

via Agência USP

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Recaída ao uso de drogas é alvo de pesquisa de neurocientistas

Em busca de tratamentos mais eficazes contra a dependência, cientistas do National Institute on Drug Abuse (Nida/NIH), dos Estados Unidos, têm se dedicado a criar métodos para identificar e estudar pequenos grupos de neurônios relacionados com a sensação de fissura por drogas.

Objetivo é identificar alterações estruturais nos neurônios que possam ser alvo para novos medicamentos mais eficazes contra a dependência | Wikimedia

O grupo coordenado por Bruce Hope conta com o brasileiro Fábio Cardoso Cruz, ex-bolsista de mestrado e de pós-doutorado da FAPESP que acaba de publicar um artigo sobre o tema na revista Nature Reviews Neuroscience.

“Nossa linha de pesquisa se baseia no pressuposto de que a dependência é um comportamento de aprendizado associativo. Quando um indivíduo começa a usar uma determinada substância, seu encéfalo associa o efeito da droga com o local em que ela está sendo consumida, as pessoas em volta e a parafernália envolvida, como seringas, por exemplo. Com o uso repetido, essa associação fica cada vez mais forte, até que a simples exposição ao ambiente, às pessoas ou aos objetos já desperta no dependente a fissura pela droga”, afirmou Cruz.

Evidências da literatura científica sugerem que essa memória associativa relacionada ao uso da droga com os elementos ambientais seria armazenada em pequenos grupos de neurônios localizados em diferentes regiões do encéfalo e interligados entre si – conhecidos em inglês como neuronal ensembles.

“Quando o dependente depara com algo que o faz lembrar da droga, esses pequenos grupos neuronais são ativados simultaneamente e, dessa forma, a memória do efeito da droga no organismo vem à tona, fazendo com que o indivíduo sinta um desejo compulsivo pela droga que é capaz de controlar o comportamento e fazer com que o dependente em abstinência tenha uma recaída mesmo estando ciente de possíveis consequências negativas, como perda do emprego, da família ou problemas de saúde”, disse Cruz.

Por meio de experimentos feitos com animais, os pesquisadores do Nida mostraram que apenas 4% dos neurônios do sistema mesocorticolímbico são ativados nesses casos de recaída induzida pelo ambiente. “São vários pequenos grupos localizados em regiões do cérebro relacionadas com as sensações de prazer, como córtex pré-frontal, núcleo accumbens, hipocampo, amígdala e tálamo”, contou.

Segundo Cruz, a maioria dos trabalhos que buscam entender a neurobiologia da dependência e descobrir possíveis alterações moleculares relacionadas com comportamentos que levam à recaídaavalia todo o conjunto de neurônios presente em amostras de tecidos cerebrais em vez de focar apenas nesses pequenos grupos.

“Acreditamos que uma alteração realmente significativa pode ser mascarada por mudanças nesses outros 96% dos neurônios não relacionados com a recaída. Por isso buscamos metodologias para estudar especificamente esses 4%”, explicou.

Uma das estratégias descritas no artigo publicado na Nature Reviews Neuroscience faz uso de uma linhagem de ratos transgênicos conhecida como lacZ. Os animais são modificados para expressar a enzima β-galactosidase apenas nos neurônios ativos.

“Nós colocamos o animal em uma caixa e o ensinamos a bater em uma barra para receber cocaína. Depois de um tempo, movemos o animal para uma caixa diferente, na qual ele não recebe a droga quando bate na barra. Chega uma hora em que o animal para de bater na barra. É como se estivesse em abstinência. Mas quando o colocamos de volta na primeira caixa, ou seja, no ambiente que ele foi treinado a receber a droga, ele imediatamente volta a bater na barra à procura da droga”, contou Cruz.

Nesse momento, os pequenos grupos neuronais são ativados no rato pelos elementos do ambiente. Os pesquisadores administram então uma substância chamada Daun02, que interage com a enzima β-galactosidase e se transforma em um fármaco ativo chamado daunorubicina, que provoca a morte desses neurônios ativos.

“Esperamos cerca de dois dias para o fármaco concluir seu efeito e, quando colocamos novamente o animal no ambiente associado à administração da droga, ele não apresenta mais o mesmo comportamento de busca da substância. É como se a fissura tivesse sido apagada após a morte desse pequeno grupo de neurônios relacionado com esse comportamento de recaída”, contou Cruz.

Outra técnica descrita no artigo também faz uso de animais transgênicos capazes de expressar uma proteína fluorescente apenas nas células ativadas. “Com auxílio da citometria de fluxo, conseguimos isolar apenas essas células que ficam fluorescentes e então procuramos por possíveis alterações moleculares. Podem ser alterações estruturais, como aumento no número de espinhos dendríticos, o que aumenta a interação sináptica e deixa o neurônio mais sensível. Podem ser proteínas intracelulares que também aumentam a atividade desses neurônios”, explicou.

Uma vez identificadas essas alterações, acrescentou Cruz, elas vão se tornar alvos para o desenvolvimento de fármacos capazes de tratar de forma mais eficiente a dependência. “Não existe hoje um medicamento realmente eficaz, tanto que cerca de 70% dos usuários de cocaína sofrem recaída após um período de abstinência. No caso do álcool, o número é maior que 80%”, afirmou.

O grupo do Nida conta ainda com outros pesquisadores brasileiros, entre eles Rodrigo Molini Leão, que acabou de concluir o doutorado com Bolsa da FAPESP na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (FCFAr-Unesp) em Araraquara. Também participa o doutorando Paulo Eduardo Carneiro de Oliveira, da FCFAr-Unesp. 

Por Karina Toledo | Agência FAPESP

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Acupuntura é utilizada no tratamento da dependência química

O tempo de tratamento é longo, porém o resultado é muito eficaz

Qualquer droga que cause alterações do comportamento do indivíduo pode causar dependências, como o álcool, cocaína, crack, maconha, medicamentos para emagrecer a base de anfetamina, calmantes, medicamentos tarja preta, entre outros.

A dependência química faz o indivíduo pensar só na droga, achar e sentir que a droga é a coisa mais importante da vida dele, tão necessária ou até mais importante que o repouso, a diversão, os alimentos, a vida social, deixando fatores importantes de lado.

A dependência química é uma doença grave, não tem cura, causando até mesmo alterações físicas e biológicas nos indivíduos. Na maioria dos casos, há interesse por parte do dependente químico em receber um tratamento, ele quer ser tratado, só não encontra forças para isso.

Vem sendo cada vez mais comprovada a eficácia do tratamento da dependência química através da Acupuntura . “A inserção de finíssimas agulhas em determinados pontos do corpo após um minucioso diagnóstico através da anamnese, leitura do pulso, leitura da língua, é ativado imediatamente no cérebro a produção de antiinflamatórios, analgésicos e antidepressivos, como a endorfina, serotonina e cortisol, diminuindo os sintomas da abstinência”, explica a Dra. Aparecida Enomoto, especialista em Acupuntura pela Universidade de Medicina Tradicional de Beijing e fisioterapia, com especialização em UTI Respiratória no Brasil.

O dependente químico está sempre buscando um prazer cada vez maior. Assim que pode, ele busca uma droga mais forte. Por isso, precisa ser tratado o quanto antes. A Acupuntura causa um grande alívio, diminui imediatamente a abstinência. Sentindo esse conforto, ele percebe que pode viver sem a droga. Fica muito feliz, porque, na verdade, todos querem ser tratados. Torna-se colaborativo, aceitando o tratamento. É muito importante a participação da família, porém, ele tem que querer ser tratado. “A vontade do paciente é soberana e temos que respeitá-la”, comenta a  Dra. Aparecida Enomoto.

Sobre a Dra. Aparecida Enomoto
A Dra. Aparecida Enomoto, graduada em MTC – Medicina Tradicional Chinesa, com especialização em Acupuntura pela Universidade de Medicina Tradicional de Beijing e em fisioterapia, com especialização em UTI Respiratória no Brasil.

Mais informações através do site www.acupunturaenomoto.com.br

via Bruna Moura | Notícia Expressa

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Programas do Estado atendem anualmente 19.200 pessoas para tratamento da dependência química

Por meio de diversas ações, Governo de Minas atua em prevenção, recuperação, reinserção social, pesquisa e disseminação de conhecimento relativo ao uso de álcool e drogas

Em 2012, parte da renda do Futsal Fest foi destinada ao tratamento de dependentes químicos em Minas | Aline Pereira

O crack é usado por 35% dos consumidores de drogas ilícitas nas capitais do Brasil, revela pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, divulgada na última quinta-feira (19). Para contribuir com a reversão desse quadro no estado, o Governo de Minas, por meio da Subsecretaria de Políticas sobre Drogas (Supod), atua em prevenção, tratamento, recuperação, reinserção social, pesquisa, disseminação de conhecimento, relativos ao uso e abuso de substâncias e produtos que causam dependência. Com a finalidade de oferecer tratamento aos dependentes químicos e proteção social, o órgão disponibiliza 1.600 vagas por mês em três tipos de modalidades: ambulatorial, permanência dia e abrigamento temporário.

O secretário de Estado de Esportes e da Juventude, Eros Biondini, explica que, para garantir vagas a 19.200 usuários de drogas, foram renovados, em julho deste ano, convênio com 28 instituições, integrantes do Programa Rede Complementar de Suporte Social ao Dependente Químico, para repasse de recursos da ordem de R$ 6,8 milhões. “Sabemos do trabalho vocacionado dessas comunidades terapêuticas, grandes parceiras na luta contra as drogas, e, por isso, empenhamos esforços para assegurar o investimento”, diz o secretário.

Além disso, Minas Gerais possui serviços como o Centro de Referência Estadual em Álcool e Drogas (Crad), que conta com profissionais especializados na área de dependência química, dando suporte e orientação a educadores, familiares e dependentes químicos. Com o trabalho, disponibilizam informação sobre a localização e o acesso a serviços de assistência pelo LigMinas. O serviço oferece, ainda, espaço físico para reuniões de grupos de mútua-ajuda, alcoólicos anônimos, entre outros. De janeiro ao final de agosto deste ano, o Cread registrou 73.141 atendimentos por telefone, mais de 2.800 presenciais e 1.570 em grupos. Desse total, 824 pessoas participaram de Grupo Familiar, 169 em Grupos de Acolhimento, 575 no Grupo Amor Exigente e dois no Grupo de Adolescentes.

Ainda no Centro de Referência, há o serviço de acolhimento e acompanhamento familiar ao usuário de álcool e outras drogas e sua família, em situação de crise, com vistas à minimização aos danos pessoais e sociais. As equipes, compostas por psicólogos e assistentes sociais, desenvolvem as atividades no domicilio e atuam, também, no sentido de apoiá-los após tratamento especializado.  A proposta é fazer o primeiro acolhimento, orientar e, quando necessário, encaminhar o usuário, ou membros da família, à assistência em serviços da rede disponível, ou seja, ambulatorial, permanência dia e abrigamento temporário. Neste ano, a prioridade é nos casos de internação encaminhados pelo Judiciário, totalizando, no primeiro semestre, 229 atividades de intervenção desenvolvidas.

Tratamento e Recuperação

Aline Fonseca do Couto, 33 anos, é uma das recuperadas por meio dos programas oferecidos pelo governo. “A droga entrou em minha vida através de um namoro viciado. Eu tinha 12 anos e comecei a cheirar cola de sapateiro e thinner por curiosidade. Aos 18 anos, experimentei maconha e, com 23, passei para a cocaína. Três anos depois conheci o crack e tornei-me escrava da pedra até os 30”, relata. Aline conta que seu pai faleceu há 13 anos e, por ser filha única, morava com a mãe e vendia as coisas de dentro de casa para sustentar o vício. Com 27 anos, engravidou, amamentou a criança por apenas um mês e quinze dias, voltou para rua e a deixou sob os cuidados de sua mãe.  “Um dia, minha mãe me procurou e relatou a falta que Laura, minha filha, estava sentindo de mim. Contudo, aconteceu uma tragédia. Como eu estava em uma favela, de esgoto a céu aberto, o mosquito da dengue a picou e como ela era portadora da doença de chagas, permaneceu internada por quatro meses e veio a falecer. A minha filha ficava com a minha tia e percebi que tinha perdido tudo, inclusive as únicas pessoas que me amavam. Piorei no vício, cheguei até a me prostituir para saciar a minha vontade de usar o crack. Decidi buscar pelo tratamento. Era a esperança de resgatar a minha vida”, conta.

Aline, então, buscou apoio do Centro de Referência Estadual em Álcool e Drogas. Lá, realizou os exames necessários para a internação e submeteu-se ao tratamento, por nove meses, no Centro de Reintegração social Beija Flor, uma das entidades parceiras do Governo de Minas, localizada na cidade de Oliveira. “Hoje, minha vida foi restaurada. Há três anos vivo de cara limpa. Recuperei a guarda de minha filha e estou casada com um homem que me aceita, respeita e me ama da forma como sou. Tenho a certeza de que daqui para frente só terei motivos para comemorar. Drogas? Nunca mais”, comemora. Atualmente, Aline é operadora de telemarketing e ministra palestras em escolas. “Não meço esforços para atuar na prevenção e recuperação das drogas”, afirma a ex-dependente.

Prevenção

No campo da prevenção, a Subsecretaria de Políticas sobre Drogas desenvolve o Programa Papo Legal – “Diálogos Comunitários para a Prevenção do Uso e Abuso de Drogas”, que tem como princípio a abordagem do problema do uso de drogas a partir da identificação das ações presentes em cada município, consistindo em um programa de caráter essencialmente preventivo, cuja atuação se dá em 47 municípios distribuídos em nove macrorregionais do Estado.

No plano estratégico, o Papo Legal direciona esforços para o fortalecimento dos Conselhos Municipais de Políticas sobre Drogas – Comads, entendendo-os como atores táticos importantes para a articulação das ações preventivas em âmbito local. Para isso, o programa desenvolve cursos de capacitação para representantes municipais, com objetivo principal de construir planos locais de prevenção do uso de drogas, que expressam a realidade e os anseios de cada município no que concerne à prevenção do uso e abuso de drogas. Soma-se a esta ação a elaboração de Mapas da Rede Social, ação que fortalece a rede de serviços, instituições e iniciativas ligadas à temática. Em 2013, o total do investimento aproximado para o Papo Legal é de R$ 1,5 milhão.

Outra ação neste sentido é o Concurso Estadual de Frases, Desenho e Redação. Em 2012, o tema foi “Mais Perto dos Livros, Mais Longe das Drogas” e obteve a adesão de 99.109 alunos. O objetivo consiste em formar uma consciência crítica nos alunos dos ensinos fundamental e médio das redes públicas e particulares e dos Centros de Prevenção à Criminalidade do Programa Fica Vivo. Em outubro deste ano, acontecerá a premiação dos três primeiros colocados nas cinco categorias (frase, desenho com frase, desenho, grafitismo e redação), as escolas e professores orientadores. Os prêmios variam de micro system e notebook a TVs de 42 polegadas.

Sobre a pesquisa

Encomendada pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), a pesquisa divulgada na última quita-feira indica que os usuários regulares de crack e similares chegam 370 mil, nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal, representando 35% do total de consumidores de drogas ilícitas, com exceção da maconha, nesses municípios, estimado em um milhão de brasileiros.

O trabalho foi feito com base em dados coletados em 2012 com 25 mil residentes nas capitais. As pessoas foram visitadas em suas casas e responderam a perguntas sobre suas redes sociais. Para o subsecretário de Políticas sobre Drogas, Cloves Benevides, a pesquisa elaborada pela Fiocruz torna-se referência para ampliação das ações voltadas para a temática. “O Governo de Minas tem um conjunto de ações em diversas áreas e foi colaborador de uma das fases da pesquisa da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas/Fiocruz. A partir de agora teremos um norte para alinhamento e aprimoramento das políticas sobre drogas em nosso Estado”, destaca. Cloves Benevides participará da oficina organizada pela Senad, composta pelos técnicos e pesquisadores da Fiocruz, com o objetivo de detalhar e promover o aprofundamento dos resultados do estudo .

Pesquisadores da Fundação analisaram ainda o perfil dos usuários do crack nas capitais, regiões metropolitanas, em cidades de pequeno e médio porte de forma a retratar um cenário similar para o país. O trabalho mostra que a maioria da população que usa regularmente é de não brancos (80%), solteira (60,6%) e do sexo masculino (78%) e que por algum momento já esteve na escola (apenas 5% dos ouvidos não completaram um ano de estudo).

O levantamento mostra que, entre os 370 mil usuários de crack e/ou similares, 14% são menores de idade. Isso indica que cerca de 50 mil crianças e adolescentes usam regularmente essa substância nas capitais do país. A maior parte deles (56%) também está concentrada nas capitais do Nordeste, onde foram identificados 28 mil menores nesta situação. Depois do Nordeste, em números absolutos o maior número de usuários de crack está concentrado nas capitais do Sudeste. A região reúne 113 mil consumidores regulares da droga, seguido pelo Centro-Oeste (51 mil), Sul (37 mil) e Norte (33 mil).

via Agência Minas

domingo, 22 de setembro de 2013

Bebês abandonados por adolescentes viciadas em crack preocupam autoridades do Rio

Agência Brasil
A quantidade de bebês recém-nascidos abandonados por mães dependentes de crack preocupa autoridades e especialistas. Somente a 1ª. Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio de Janeiro recebe, mensalmente, pelo menos 80 pedidos de audiência para medida protetiva de abrigamento a recém-nascidos. “É uma coisa terrível e seríssima” lamentou a titular da vara, Ivone Caetano. “Tenho agendados, no mínimo, três a quatro bebês saídos dos hospitais, por dia, na minha vara. Fora os casos não agendados. E o crack contribuiu muito para isso”, disse a juíza.

A chefe-geral do Serviço de Assistência Social do Hospital Universitário Pedro Ernesto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), na zona norte, Dayse Carvalho, contou que a maternidade envia semanalmente para a Vara da Infância e da Adolescência da região até três recém-nascidos. Algumas mães passam mais de uma vez pelo hospital.

“Desde 2002 temos visto um crescente dessas mães usuárias de drogas. Naquela época levávamos um bebê para a vara a cada três meses ou mais. De 2010 para cá, esse número tem variado entre dois e três bebês semanalmente”, contou a médica. Dayse Carvalho ressaltou que as mães não abandonam efetivamente os bebês mas se mostram, na maioria das vezes, incapazes de cuidar da criança. “Muitas choram quando perdem a guarda”, lamentou ela.

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada na quinta-feira (19), aponta que cerca de 10% das mulheres usuárias de crack relataram aos entrevistadores estar grávidas e mais da metade já haviam engravidado ao menos uma vez depois que começaram a usar a droga.

Dayse disse que a nova realidade da maternidade e da pediatria do hospital demandou a busca de parcerias. Uma das medidas tomadas foi o trabalho Amar, de acompanhamento pediátrico dessas crianças, além de uma parceria que está sendo costurada com o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), também da Uerj.

A diretora do Nepad, Ivone Ponczek, explicou que a ideia do projeto é tentar atrair essas mães para que façam pré-natal e trabalhar o vínculo da mãe com o bebê para que as mulheres não desistam da criança. “São, em geral, meninas completamente despreparadas para a maternidade, que não tiveram mães, então a questão do vínculo e da maternidade é muito complicado para elas”, explicou a psicanalista.

“Algumas não têm o menor conhecimento do corpo, não sabem o que é pulmão, não sabem nem a relação de causa e efeito entre o relacionamento sexual e a gravidez”, explicou ela, que defendeu ações socioeducativas e doação de preservativos para esse público como medida preventiva de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez.

O Nepad desenvolve há 28 anos pesquisas e trabalhos terapêuticos voltados para dependentes de todos os tipos de droga, com exceção do álcool. Entretanto, segundo Ponczec, o crack é a principal droga entre os dependentes atendidos no local.

“Estamos muito impactados, pois nunca pensamos que teríamos que lidar com bebês, crianças, essa relação da mãe com o bebê. Estamos, inclusive, criando um setor com espaço para a amamentação e para brinquedos. Recebemos grávidas, mães com bebês, mesmo crianças, com 6, 7 anos, já usuárias de crack”, lamentou a especialista.

A especialista alertou que a situação é grave e pede atenção e esforços por parte das autoridades e da sociedade. “Se não houver intervenção, há o risco de uma continuação do quadro, de mais bebês na rua, abandonados, reproduzindo a mesma história”, avaliou Ponzcek.

O psiquiatra do Nepad, Paulo Telles, explicou que o crack estimula o sexo para a obtenção de drogas, além de ser consumido em grande parte por adolescentes e pessoas muito jovens. “Quanto mais drogas se usa, menos prevenção se faz durante o sexo. São pessoas que não se cuidam e, provavelmente, não vão cuidar de filhos”, lamentou ele. O médico informou que no Nepad, que o percentual de mulheres entre os usuários de crack é maior do que entre os usuários de outras drogas.

Flávia Villela | Agência Brasil

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